sábado, 5 de março de 2011

Ismael Silva

Uma discussão travada numa das salas da Sociedade Brasileira de Autores, em fins da década de 60, colocou a seguinte pergunta à Donga e Ismael Silva. Qual o verdadeiro samba?

Donga diz:

_Ué. Samba é isso, há muito tempo:
“O chefe da polícia pelo telefone mandou me avisar, que na Carioca tem uma roleta para se jogar...”

Ismael retruca:
_Isso é maxixe.

_Então o que é samba?

E Ismael cantarola:
"Se você jurar que me tem amor, eu posso me regenerar..."

Então Donga completa:
_Isso não é samba, é marcha!

De acordo com a Biblioteca Nacional, o primeiro samba registrado no país foi “Pelo Telefone”, de Donga, em 1916. A discussão acima entre os grandes sambistas refere-se a forma do samba. Entre 1917 e 1927, o samba era feito nos “ranchos”, casas como a da Tia Ciata, principalmente em rodas que privilegiavam o Partido Alto: uma pessoa dançava por vez, acompanhada por palmas, cavaquinho, pandeiro, violão e até instrumentos de sopro. Mas existia também o samba corrido onde todo mundo sambava e cantava. Este samba no período do carnaval era levado as ruas em passeatas que atraiam foliões representando pastores em roupas de cores vivas e outros personagens que lutavam contra a figura principal que dava nome ao rancho. Um exemplo interessante é o Grupo de Caxangá que saía por diversão durante o carnaval, com os integrantes fantasiados de nordestinos, comandados pela flauta de Pixinguinha. Do fim da Primeira Guerra Mundial a 1927, o samba estabeleceu suas raízes e se profissionalizou. As gravações deste período marcam o fim das gravações mecânicas e o advento do sistema elétrico – guardam entre eles a marca sonora do seu parentesco com os sambas do partido alto dos baianos, que soavam ainda como eco de suas origens rurais no recôncavo.

Foi então preciso que uma nova geração de talentos, já agora saídos das camadas baixas cariocas, igualmente herdeiras de uma tradição local de sambas de roda à base de versos repetidos, fizesse sua contribuição definitiva para a carreira comercial do gênero: o samba batucado e marchado da Estácio.O bairro do Estácio, na zona norte do Rio, foi abrigo desde o início de uma população proletária, com pequenos comércios e atividades artesanais. A proximidade com a zona de prostituição do Mangue, atraía para os seus muitos bares os bambas das zona – os tipos especiais de indivíduos que viviam da exploração do jogo ou das mulheres. Esse tipo de personagem na época ficou conhecido como malandro. E não demorou muito para que os malandros se reunissem para organizar um bloco, que se tornou um sucesso. Surgia o embrião da primeira escola de samba em 1927: a “Deixa Falar”. Essa nova forma de samba urbano arquitetado por Ismael Silva e outros – conhecido como samba carioca – afastou-se definitivamente do modelo do partido alto dos baianos, quando foi introduzido o surdo de marcação por Alcebíades Barcelos. De fato, o som desse tambor empurrava o samba para frente e o deixava mais solto pelas ruas, mas, ao mesmo tempo por oposição ao movimento do partido alto (que neste ponto se aproximava do maxixe), havia o risco de simplificação ao nível de marcha ao acelerar o ritmo. Tal diferença ficaria representada na discussão travada na década de 60 entre Donga, o filho de baiana que marcou o partido alto em 1916, e Ismael Silva, carioca, pioneiro dos sambas do Estácio. Bate boca e debates a parte, ambos tiveram uma participação decisiva nos moldes do carnaval e sambas modernos. Para saber mais sobre a “Deixa Falar” – primeira escola de samba do Brasil, acesse o blog Farofa Apimentada.



Download Ismael Silva:


Foto retirada deste link

Links retirados dos excelentes blogs: Um que tenha e Receita de Samba

Fontes:
Escolas de samba – O que, quem, como, onde e por que – Sérgio Cabral
História Social da Música Popular Brasileira - José Ramos Tinhorão

quarta-feira, 2 de março de 2011

Ten Years After

Dizer que esta é a melhor postagem que já foi feita no blog seria entusiasmo de fã. Empolgação pura que remete a minha adolescência e a um lugar que era especial: a saudosa loja de discos “Nuvem Nove”. Naquele pequeno espaço rodeado de rock clássico por todos os cantos, encontrei toda minha discografia do Ten Years After e boa parte da coleção que conservo com muita dedicação. Entre eles, dois álbuns que marcaram uma etapa da minha vida: Cricklewood Green (1970) e Space in Time (1971). Esses discos juntamente com o ao vivo no Fillmore East, tornaram-se discos de cabeceira praticamente intocáveis. Não tem jeito de falar de Ten Years sem enfatizar a guitarra e a velocidade de Alvin Lee. Aquela sonoridade era um estimulante diário para um moleque sem noção, que sempre ficava boquiaberto com a apresentação explosiva da banda no Festival de Woodstock (1969). Do blues ao rock, com influência da música country, o som do Ten Years sempre terá lugar de destaque entre os maiores de todos os tempos.   



Discrografia básica:
Ten Years After – 1967

Cereja do bolo, discos ao vivo sensacionais:

Ten Years After – BBC Sessions 1967-68
Disco 1
Disco 2

Fillmore East (1970)
Disco 2

Links retirados do excelente blog www.vipdowns.blogspot.com

terça-feira, 1 de março de 2011

Renato Teixeira & Pena Branca e Xavantinho

Esse é sem dúvida um dos álbuns mais bonitos da música brasileira. Gravado ao vivo na pacata Tatui, cidade do interior paulista, este disco contém preciosidades da música caipira. A gravação é de 1992, sete anos antes da morte de Xavantinho. Seu irmão Pena Branca, ainda seguiu carreira mas infelizmente faleceu ano passado pondo fim à anos de sucesso. A dupla fez shows nos Estados Unidos e em carreira solo, Pena Branca ganhou um Grammy Latino. Nos resta ainda Renato Teixeira, que continua nos proporcionando boa música como no recente trabalho com Sérgio Reis, mas este fica pra depois.

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